sábado, 1 de dezembro de 2012


O que sinto
Do amor que me propele a outras vidas
Da dor que me impõe uma saída
Da incerteza que me leva à descoberta
Do desejo de sair e deixar a porta aberta

Como vivo
O riso que precede o pranto
O respeito pelo meu desengano
O desejo de revirar o que não se toca
A consciência de não querer sair da oca

Como aceito
Esperar o meu progresso
Ausentando-me do processo
Querendo tudo sem ter nada
Vivendo um retrocesso e desejando o seu reverso

Lidiane Araújo

Inconstante

Eu vivo dessa inconstância de emoções
Ora choro, me arrebento em ilusões
Ora canto, divido o meu riso com as multidões
Ora grito, suplico à vida novas e intensas paixões

Eu vivo dessa constância de ser inconstante
Busco me desnudar do que me é preocupante
Envolvo-me delicadamente com uma alma mais tolerante
Liberto-me exaustivamente de tudo o que é ultrajante

Eu vivo
Choro
Canto
Grito

Eu vivo
Busco
Envolvo-me
Liberto-me


Lidiane Araújo, 30 de outubro de 2012

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Ter fome



Ela cumpria com maestria as suas tarefas diárias e cuidava com primor de suas belas flores. Ela vivia na cidade, mas sua casa tinha um jardim encantador. Todos elogiavam as suas conquistas galgadas a cada dia e que eram refletidas nos seus botões de flores de todas as cores. Um tempo passou e seu jardim permaneceu cheio de graça. Apesar disto, a moça não via graciosidade naquele cenário e tampouco conseguia desfrutar do perfume que as flores exalavam e da beleza da valsa que elas dançavam quando impelidas pelo movimento rítmico do vento. A manutenção daquele jardim foi ficando cada vez mais afanosa e sem sentido. Sem saber o que fazer, só restou àquela moça uma saída urgente: procurar um florista amigo. Ao ter com ele, de imediato emplacou a sua interrogação angustiante:

– Senhor, o que devo fazer com o meu jardim? Ele era tão bonito, as pessoas ainda acham que ele o é, mas vejo que minhas flores parecem ter perdido o brilho e o perfume que lhe eram nativos.

Sem pestanejar, o florista descansou com atenção o seu olhar nas feições daquela mulher aperreada. Sem ter uma solução para o problema, devolveu-lhe outra indagação não menos angustiante: – Tu amas o que fazes? Ou melhor, tu te amas ao fazer o que fazes com o teu jardim? 

Desconsertada, a moça proferiu outra pergunta que pudesse aplacar o seu desconchavo: – Mas o que isso tem a ver? Não falo sobre mim, falo de flores, meu amigo!

– Eu conheço suas flores, sei que são belas. Aliás, quando tu te propões a cuidar do que gostas, tudo aquilo que tocas tu consegues revestir de beleza. Não te dou conselhos sobre condições de solo, poda, umidade ou exposição solar, pois imagino que tuas flores merecem outros cuidados. É difícil explicar, mas penso que o teu dilema está fora do teu jardim, no teu modo de ver as tuas flores. Se todos as enxergam como graciosas, por que apenas tu as percebes como modestas?

Humilde, o sábio florista reconheceu que não saberia lhe dizer com clareza o que essas questões tinham em comum, embora sentisse que todas elas tinham uma mesma ascendência, isto é, todas tinham a sua raiz nas questões da existência. Em aditamento a esta falta de resposta, disse que a única coisa que poderia lhe fazer era contar uma história. Se este conjunto de fatos lhe suscitasse algum sentido, a moça iria descobrir por si mesma. Pronto, isto foi o que ele tentaria fazer, não fosse o atropelo verbal de Malu. Ao perceber que não poderia fugir daquela pergunta e, ainda, que a sua resposta deveria ter a raiz nas profundezas do seu ser, Malu ensaiou uma resposta. No entanto, falou muito mais sob pressão do que por intento próprio, achando-se sábia no que dizia:

– Bem... assim... é... eu me amo. Tipo, eu me amo, mas eu preciso me amar mais, certo?! O que eu queria mesmo é que as pessoas também me amassem mais. Na realidade, eu me amo, mas sou desejosa de ser desejada. Entendeu?

– Deseja a ti mesma e serás desejada, retrucou o florista.

– Como assim? Não, assim eu seria desejada por mim e isto não me basta.

– Sim, serás desejada por ti. Aí é que está o segredo. Dizem que o desejo só pode ser despertado no outro quando ele ocorre por si mesmo. Em outras palavras, a criatura só pode ser desejada se for também amada. Dizem que as criaturas amadas liberam um perfume inigualável. Ele tem notas que não se compram nos perfumes do armazém, mas vão se formando com o tempo e vão se aprimorando e harmonizando na própria pele como se fossem uma coisa só, como só o que é verdadeiro pode ser: único. Mas este amor primeiro precisará sair de ti, ó criatura. Como queres enxergar beleza em teu jardim, em tua vida, se os olhos que contemplam o teu entorno estão embaçados?! Viver é ter um jardim. Se não gostas do teu, parece-me que não gostas do que ele representa para ti, o que não significa que ele não seja belo. Se teu jardim é um fardo, tu não poderás enxergar leveza em tuas flores. Ter jardim só faz sentido quando a experiência de regar as flores e cuidar do nosso solo não se torna uma obrigação, mas cuidado, respeito e amor. Minha amiga, viver é sentir a fome que não se sacia. Parece-me que já estás saturada deste jardim, não é?! Como apreciá-lo, então, se não tens fome para contemplá-lo?!

Sem palavras, Malu não sabia mais o que buscava na casa do florista amigo, mas compreendia uma coisa: é impossível discutir tema algum sem fazer alusão ao que se vive. O silêncio tomou conta do espaço. Cada parede daquele cenário estava impregnada com um autêntico perfume que mais parecia ter muitas notas estruturantes, sobretudo a nota marcante da sabedoria organísmica. Sem resposta, mas ancorando um turbilhão de reflexões em seu peito, Malu foi calada pelo barulho que dela surgia. Este barulho só tinha um nome: fome. A sua fome era tão grande que não cabia nas palavras. Embora não tivesse ouvido a história que o florista desejara lhe contar, ela saiu daquele lugar sem hesitar, pois a fome era demais a lhe importunar.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Ser vinho

O tempo é precioso. A ele a vida designou o papel de aprimorar as pessoas como se fossem vinho. O barril de carvalho é a estrada por ondem algumas delas passam e se acomodam. Quando um desses elementos se modifica, os demais se transformam em plena cumplicidade. Pronto, tudo corrobora para que todos fiquem bem ou melhores naquilo que poderiam ser ou se tornar. 
Hoje foi um dia especial para mim, o 
tempo tratou de me mostrar que estamos todos nos encorpando. Se ainda não sou como gostaria de ser, não há problema. Esta é a parte boa da história: o tempo que virá se encarregará de me tornar melhor, desde que eu aproveite cada momento no barril onde hoje me encontro. 

Um dia serei festa, alegria. O meu desejo de ser assim já me deixa feliz, pois a minha experiência de preparo anuncia o sabor que virá e o concerto que me anunciará ao encontro das taças de cristal. Viver é esperar, mas esperar só se faz possível quando percebo que o que me espera é digno. Esperar não significa ser passiva, mas generosa com o meu momento e o meu desejo de me transformar, de não ser tão ácida, ser delicada, intensa e aromática.


terça-feira, 4 de setembro de 2012

Encantar-me...


Meus olhos reclamam outras leituras
Meu corpo implora outra postura
Minha língua deseja mais ternura
Minhas mãos suplicam outros sonhos

Para o meu passo rápido, lentidão
Para o infortúnio de algumas energias, solidão
Para a ausência da alegria, outras companhias
Para o caminho tão certo, outras rodovias

Ao peito amargo, um coração leve
À dor sentida, uma palavra a ser proferida
Ao fardo que carrego, o entorno
À garganta travada, o despejo do rancor

Sobre mim, um pouco de bênção
Sob a pele que me reveste, mais verdade
Viver com mais vontade
Encantar-me um pouco mais por mim




sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Viver é sonhar


A vida não é fácil
Isto eu sei, minhas vivências precedentes me falaram
A vida não é tão difícil assim
Isto eu busco, ao olhar a luminosidade que surge do obscuro a me seguir

Para ser feliz, o que a vida nos diz?
Não esperemos nada, mas desejemos tudo!
Viver é sonhar


segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Minha agenda sou eu


Nunca tive uma agenda que pudesse ser reconhecida como plenamente minha. Isto é estranho! Apesar disto, vejo que não sou a única que gasta dinheiro para comprar uma agenda para os outros. O pior não é o custo que se tem com esse objeto que desorganiza a própria vida para organizá-la em função dos compromissos alheios.
Além do gasto financeiro, quem tem posse deste objeto ainda segue cometendo outros erros: perder-se no tempo, perdendo tempo em arranjar tempo para os outros. Tudo bem, estar com o outro é muito bom, sobretudo quando se trata dos amigos ou familiares, quando o que mais gostamos de fazer é perder a noção do tempo, dada a alegria de se estar em boa companhia.
Mas enfim, fora as exceções atinentes à natureza subjetiva do tempo, perder tempo é algo realmente muito arriscado, embora seja uma prática corrente nos tempos atuais. Nossa, e como é fácil perdê-lo! Difícil é vê-lo escorregar entre os dedos e nem sequer vislumbrar suas idas e vindas com o crepúsculo, aurora ou alvorada. Pois é! Mas por que será que ainda existem algumas almas iluminadas que conseguem lidar com este objeto de nome tão estranho, que tem por função listar os objetivos que estão por se cumprir? É muito difícil lidar com esse troço que traça os nossos [des]caminhos. Será que ficar sem agenda resolveria o problema? Pensando bem, esta decisão só minimizaria o custo financeiro, pois a pessoa seguiria se empatando com ocupações alheias, sem tomar nota (ou consciência) destas. Mas rapaz, que coisa difícil!
Então, se não há saída, a solução deve estar no problema: o compromisso sobre o qual se faz referência na agenda. Se for isto mesmo, o compromisso deve ser substituído pelo não compromisso, ou melhor, pelo compromisso de ter cuidado prioritário consigo mesma. Pronto, resolvido! Se a agenda é minha, meu compromisso sou eu [e com os outros por consequência]. E você? Já passou a sua agenda em retrospecto? Ela é mesmo sua?


domingo, 27 de maio de 2012

Cansada!


Cansada de percorrer as mesmas trilhas. Cansada de chegar aos mesmos destinos. Cansada de nunca chegar a lugar algum. Cansada de carregar pesos ou lembranças inúteis. Cansada de não cuidar mais de mim. Cansada de mim, talvez. Do jeito que sou é cansativo ser. Cansada de estar cansada. Cansada do que mais? Eu não sei. De dormir, talvez. Acordar é preciso, isto eu sei. É preciso acordar para sonhar outra vez. 


sábado, 7 de abril de 2012

A flor vive

Imagem: arquivo pessoal.


Eis a flor que caiu. A queda natural não poderia lhe trazer marcas, mas o tempo cuidou em esculpir-lhe alguns desgastes. Derrubada, as formigas nutriram-se dela. O chão parecia a sua última estação; mas não, a flor que morrera mudou seu destino. Alguém que passava naquele lugar fitou o olhar místico em seu colorido encantador. Pronto, isso bastou para que a flor mudasse o seu percurso. Feito gente sofrida, desgastada e morta, quando tomada pelos braços do Senhor, pode renascer. E assim ela foi, mas a sua lembrança persiste: já esteve aqui e hoje vive... ofertando vida e colorindo a terra. 

Feliz Páscoa!


Lidiane Araújo, 07 de abril de 2012

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Sou assim, um amontoado de fragmentos


Tenho andado feliz e, de súbito, sinto a fiel companhia da tristeza. Apesar de ter a experiência de breves visitas da primeira emoção, sinto que sou profundamente tecida pela segunda. E é a partir desta que me abasteço para me permitir à primeira. O que quero? Ah, o que desejo é a plenitude de fazer habitar em mim emoções tão distintas sem que delas possa reclamar a inocência e o intento da convivência com seus extremos. Não quero ser unívoca! Quero ser inteira, eu quero mesmo é conviver com o amontoado de fragmentos que me constituem incessantemente. Não sei não querer ser ambígua. Desejar ser assim faz parte de mim.

Lidiane Araújo, 06 de abril de 2012.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

[A]Corda!

Dias comuns. Metas a cumprir. Prazos e compromissos pré-estabelecidos. Tudo parecia seguir seu movimento rítmico habitual. Mais uma vez acreditava que iria cumprir seus objetivos com admirável rigor e perfeição, isto porque ser do jeito que se era pressupunha agir sistematicamente daquela forma socialmente desejada.

Bem lembrado... “do jeito que se era” ela só poderia agir com esplendor aos olhos daquela platéia. Tardou a ocorrer, mas havia chegado o dia em que aqueles dias se transmutariam. Pois bem, os dias comuns tornaram-se tensos, vazios, cheios de prazos e compromissos praticamente inalcançáveis.

O ritmo da vida foi ficando mais intenso, mas sem nenhuma intensidade na vida daquela mulher. Resultado: sensação de fracasso. Poderia ela se sentir assim? Será que ela não aprendeu, com vivências precedentes, que não se poderia se perder no caos que a vida oferece? Será que não conseguia ouvir a si mesma, perfilhando o que passava dentro de si? Como poderia estar tão alienada, esmagando-se em nome de metas que não eram propriamente suas, mas que ainda assim sobressaíam-se na lista de suas tarefas mais urgentes?

Apesar de ser responsável pela escolha que constituíra o motivo de sua angústia e distanciamento de si, ela se irritou profundamente por passar por mais uma experiência caótica de sua vida, ainda que esta tivesse sido por ela apoiada. Mas nem tudo estava perdido. Ela poderia querer não enxergar o que via, como ocorre usualmente com a [desu]humanidade. E assim foi resguardado àquela garota todo o direito de sentir-se irritada, pois só reconhecendo sua dor e experienciando este sentimento ela poderia, enfim, desejar se livrar daquele estado.

E como uma nascente que fornece água a um rio, ela permitiu que brotasse uma pequena lágrima. E ali, naquele momento supostamente de fracasso, aquela lágrima alimentou o rio que atravessava sua vida. E foi assim que, aparentemente minúscula, aquela gota fecundou a sua necessidade de impulsionar o fluxo que regia a sua vida. Neste tempo, seu desejo era o de estar consciente e envolvida por suas experiências, ainda que estas fossem configuradas em momentos de pranto. Afinal, fontes que brotam prantos também mobilizam rios. E naquele dia, ainda que não fosse esperado que um choro provocasse tamanha alegria, ao fim de tudo, ela se embelezou por celebrar sua vida e reconhecer a sua força diante das experiências vividas.

Para ela, aquela santa semana foi como tudo e nada: sem expectativas para o desfecho dessa experiência, nada pôde confiar. Mas pôde encontrar tudo o que sua alma esperava: regressar para o seio seu em busca de paz por estar em sua própria companhia. E assim ela percebeu que os dias tensos ocorreram para que ela vivesse a experiência de se recusar a seguir aquele ritmo externo à sua condição, o que a direcionou, por conseguinte, a respeitar e admirar seu próprio ritmo para dançar divinamente as músicas que a vida lhe oferecia.

E a morte, que sempre a assustava, agora se expressava mais forte do que nunca. Na sua existência, por exemplo, tem vivenciado várias “mortes” no cotidiano. Este fato, contrariamente, tem sido profícuo para o seu processo de reconhecer que às vezes é preciso matar características que a sufocam para dar vazão à vida que lhe subjaz... abrindo espaço para que sua vida ganhe uma força ainda maior.

Hoje, central é, pois, em sua vida que a confiança em seu organismo torne-se crescente. E que suas experiências sejam vividas livremente, como é o caso da “morte”, que saiu da esfera do medo e da rigidez para compor o cenário da sua vida, dignificando sua condição de existência e expansão.

E naquele dia, com esta perspectiva de transformação, advinda do contato com suas experiências, ela:

1. Acordou. 2. Enforcou seus problemas. 3. Matou sua dor.

Noutras épocas de sua vida, um momento de angústia como esse poderia levá-la ao seu próprio fim. No entanto, ela transformou seu sofrimento em mais uma experiência de contato consigo mesma, em detrimento do afastamento que adoece o ser e o faz embrutecer.

E foi assim que neste dia, enforcada a sua dor, decidiu usar sua corda para outro propósito: pular. Isto mesmo, aquela atividade que fazemos para nos divertir...

Lidiane Araújo
João Pessoa, 24 de fevereiro de 2012.

Imagem: arquivo pessoal.

Liberdade selvagem

Decidi não mais aceitar amores condicionais
Permitir ser amada desse jeito é muito restrito
Adaptar-me a limites é meu verdadeiro conflito

Nas entrelinhas das insatisfações que os limites sobrepõem a mim
Novas possibilidades começam a surgir
Atreladas a elas um só desejo existe

O ideal que um Mustang exibe
O real que meu ser exige
Viver sem limites



Lidiane Araújo
João Pessoa, 24 de fevereiro de 2012.

No presente, um movimento

Uma caminhada. Um passo
Um desejo de caminhar. Um desejo de desejar dar um passo
Quero o primeiro desejo
Se não o tenho, contento-me em intentar desejar

Ousar desejar já é um movimento
Da vida gritando aos ventos
Que o que vale na vida é o movimento
Da vida movimentar

Até aqui, eu fui...
Para o amanhã, serei...
Cortejando o risco de tolher meu movimento
Àqueles dois tempos já me aprisionei

Decidida, lancei-os ao vento
Um presente ganhei
Multifacetado e fugidio
O embrulho veio assaz escorregadio

Para agarrá-lo
Foi preciso estar inteira
Na medida em que me permito ser o que sou
Os diversos tempos se encontram num só tempo

Nesse momento, tudo conflui para que eu assegure o meu presente
Tudo conflui. Apenas isto
Receber não significa abrir
Ainda é preciso um movimento

Cabe a mim esse propósito
Abrir os braços e cerrá-los com firmeza
E, na leveza, libertar a mão da descoberta
Que num só movimento abre o embrulho com destreza

E ao fim de tudo...
Ao fim de mais uma etapa do processo
Ao contemplar o presente descoberto
Vejo que o tempo presente é o presente que a vida quer me ofertar

No movimento, um presente
No presente, um movimento
Um desejo de movimentar
E meu movimento partilhar




Lidiane Araújo
João Pessoa, 20 de fevereiro de 2012