Nunca tive uma agenda que pudesse ser reconhecida como
plenamente minha. Isto é estranho! Apesar disto, vejo que não sou a única que
gasta dinheiro para comprar uma agenda para os outros. O pior não é o custo que
se tem com esse objeto que desorganiza a própria vida para organizá-la em
função dos compromissos alheios.
Além do gasto financeiro, quem tem posse deste objeto ainda
segue cometendo outros erros: perder-se no tempo, perdendo tempo em arranjar
tempo para os outros. Tudo bem, estar com o outro é muito bom, sobretudo quando
se trata dos amigos ou familiares, quando o que mais gostamos de fazer é perder
a noção do tempo, dada a alegria de se estar em boa companhia.
Mas enfim, fora as exceções atinentes à natureza subjetiva
do tempo, perder tempo é algo realmente muito arriscado, embora seja uma
prática corrente nos tempos atuais. Nossa, e como é fácil perdê-lo! Difícil é
vê-lo escorregar entre os dedos e nem sequer vislumbrar suas idas e vindas com o
crepúsculo, aurora ou alvorada. Pois é! Mas por que será que ainda existem
algumas almas iluminadas que conseguem lidar com este objeto de nome tão
estranho, que tem por função listar os objetivos que estão por se cumprir? É
muito difícil lidar com esse troço que traça os nossos [des]caminhos. Será que ficar
sem agenda resolveria o problema? Pensando bem, esta decisão só minimizaria o
custo financeiro, pois a pessoa seguiria se empatando com ocupações alheias,
sem tomar nota (ou consciência) destas. Mas rapaz, que coisa difícil!
Então, se não há saída, a solução deve estar no problema: o
compromisso sobre o qual se faz referência na agenda. Se for isto mesmo, o
compromisso deve ser substituído pelo não compromisso, ou melhor, pelo
compromisso de ter cuidado prioritário consigo mesma. Pronto, resolvido! Se a
agenda é minha, meu compromisso sou eu [e com os outros por consequência]. E
você? Já passou a sua agenda em retrospecto? Ela é mesmo sua?

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