sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

No presente, um movimento

Uma caminhada. Um passo
Um desejo de caminhar. Um desejo de desejar dar um passo
Quero o primeiro desejo
Se não o tenho, contento-me em intentar desejar

Ousar desejar já é um movimento
Da vida gritando aos ventos
Que o que vale na vida é o movimento
Da vida movimentar

Até aqui, eu fui...
Para o amanhã, serei...
Cortejando o risco de tolher meu movimento
Àqueles dois tempos já me aprisionei

Decidida, lancei-os ao vento
Um presente ganhei
Multifacetado e fugidio
O embrulho veio assaz escorregadio

Para agarrá-lo
Foi preciso estar inteira
Na medida em que me permito ser o que sou
Os diversos tempos se encontram num só tempo

Nesse momento, tudo conflui para que eu assegure o meu presente
Tudo conflui. Apenas isto
Receber não significa abrir
Ainda é preciso um movimento

Cabe a mim esse propósito
Abrir os braços e cerrá-los com firmeza
E, na leveza, libertar a mão da descoberta
Que num só movimento abre o embrulho com destreza

E ao fim de tudo...
Ao fim de mais uma etapa do processo
Ao contemplar o presente descoberto
Vejo que o tempo presente é o presente que a vida quer me ofertar

No movimento, um presente
No presente, um movimento
Um desejo de movimentar
E meu movimento partilhar




Lidiane Araújo
João Pessoa, 20 de fevereiro de 2012

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