Naquele dia tão bonito, escolheu pintar as janelas da casa com verniz escuro só pra ver se o azul do céu e o brilho do sol se destacavam mais no interior daquele recinto. Escolheu, com isto, afetar sua alma. Nas andanças da vida, ela aprendeu que cada ser pode pintar sua janela como deseja. E por isso mesmo percebeu que a cor não significava nada se a vida do pintor não tivesse lá muito sentido. Portanto, mesmo que pintasse por fora com cores vibrantes, por dentro ela saberia que seu movimento de vida não era tão perfeito, nem unicamente alegre, embora o desejasse assim. Mesmo que pudesse escolher cores daquela natureza, decidiu pintar a janela com as nuances das suas dores, e assim enxergar a harmonia entre o obscuro das experiências vividas e as possibilidades de iluminar sua vida com o sol que lhe aparecia a cada dia. Ela escolheu não esquecer sua história, mas não deixar de contemplar o mundo e suas belas cores que o novo lhe trazia. Quando entendeu que pintar não exigia perfeição e sim desejo e verdade, ela escolheu pintar, pintar, pintar (...) e viver.
Lidiane Araújo, 28/12/2012

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