sábado, 7 de abril de 2012

A flor vive

Imagem: arquivo pessoal.


Eis a flor que caiu. A queda natural não poderia lhe trazer marcas, mas o tempo cuidou em esculpir-lhe alguns desgastes. Derrubada, as formigas nutriram-se dela. O chão parecia a sua última estação; mas não, a flor que morrera mudou seu destino. Alguém que passava naquele lugar fitou o olhar místico em seu colorido encantador. Pronto, isso bastou para que a flor mudasse o seu percurso. Feito gente sofrida, desgastada e morta, quando tomada pelos braços do Senhor, pode renascer. E assim ela foi, mas a sua lembrança persiste: já esteve aqui e hoje vive... ofertando vida e colorindo a terra. 

Feliz Páscoa!


Lidiane Araújo, 07 de abril de 2012

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Sou assim, um amontoado de fragmentos


Tenho andado feliz e, de súbito, sinto a fiel companhia da tristeza. Apesar de ter a experiência de breves visitas da primeira emoção, sinto que sou profundamente tecida pela segunda. E é a partir desta que me abasteço para me permitir à primeira. O que quero? Ah, o que desejo é a plenitude de fazer habitar em mim emoções tão distintas sem que delas possa reclamar a inocência e o intento da convivência com seus extremos. Não quero ser unívoca! Quero ser inteira, eu quero mesmo é conviver com o amontoado de fragmentos que me constituem incessantemente. Não sei não querer ser ambígua. Desejar ser assim faz parte de mim.

Lidiane Araújo, 06 de abril de 2012.