Se ao menos tu te importasses comigo
O céu conteria seu pranto
Meu rosto hospedaria sorrisos
A natureza daria volume ao canto dos pássaros
Se ao menos eu não me importasse contigo
Meus cabelos teriam mais brilho
Minha face, poucos arranhões
Minhas pálpebras conheceriam o sono dos justos
Se ao menos eu não me importasse comigo
Mais genuíno seria meu sorriso
Mais doce o meu olhar
Eu não cantaria prejuízos
Se ao menos eu não me importasse em me importar
Eu teria mais motivos para, sem motivos, me alegrar
Ah, se eu não me importasse em me importar
Os pássaros seriam meu cântico, carinho de Deus a me acordar...
Lidiane Araújo, 26/05/2013
Ao fim de tudo, viver é preciso
terça-feira, 28 de maio de 2013
O que importa?
Marcadores:
acordar,
amar,
amar-se,
amor divino,
busca,
carinho de Deus,
crescimento,
encantamento,
felicidade,
importar,
inquietude,
liberdade,
movimento,
mudanças,
pássaros,
plenitude,
possibilidades,
ser,
transformação
sábado, 1 de dezembro de 2012
O que sinto
Do amor que me propele a outras vidas
Da dor que me impõe uma saída
Da incerteza que me leva à descoberta
Do desejo de sair e deixar a porta aberta
Como vivo
O riso que precede o pranto
O respeito pelo meu desengano
O desejo de revirar o que não se toca
A consciência de não querer sair da oca
Como aceito
Esperar o meu progresso
Ausentando-me do processo
Querendo tudo sem ter nada
Vivendo um retrocesso e desejando o seu reverso
Lidiane Araújo
Inconstante
Eu vivo dessa inconstância de emoções
Ora choro, me arrebento em ilusões
Ora canto, divido o meu riso com as multidões
Ora grito, suplico à vida novas e intensas paixões
Eu vivo dessa constância de ser inconstante
Busco me desnudar do que me é preocupante
Envolvo-me delicadamente com uma alma mais tolerante
Liberto-me exaustivamente de tudo o que é ultrajante
Eu vivo
Choro
Canto
Grito
Eu vivo
Busco
Envolvo-me
Liberto-me
Ora canto, divido o meu riso com as multidões
Ora grito, suplico à vida novas e intensas paixões
Eu vivo dessa constância de ser inconstante
Busco me desnudar do que me é preocupante
Envolvo-me delicadamente com uma alma mais tolerante
Liberto-me exaustivamente de tudo o que é ultrajante
Eu vivo
Choro
Canto
Grito
Eu vivo
Busco
Envolvo-me
Liberto-me
Lidiane Araújo, 30 de outubro de 2012
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Ter fome
Ela cumpria
com maestria as suas tarefas diárias e cuidava com primor de suas belas flores.
Ela vivia na cidade, mas sua casa tinha um jardim encantador. Todos elogiavam
as suas conquistas galgadas a cada dia e que eram refletidas nos seus botões de
flores de todas as cores. Um tempo passou e seu jardim permaneceu cheio de
graça. Apesar disto, a moça não via graciosidade naquele cenário e tampouco conseguia
desfrutar do perfume que as flores exalavam e da beleza da valsa que elas dançavam
quando impelidas pelo movimento rítmico do vento. A manutenção daquele jardim foi
ficando cada vez mais afanosa e sem sentido. Sem saber o que fazer, só restou
àquela moça uma saída urgente: procurar um florista amigo. Ao ter com ele, de
imediato emplacou a sua interrogação angustiante:
–
Senhor, o que devo fazer com o meu jardim? Ele era tão bonito, as pessoas ainda
acham que ele o é, mas vejo que minhas flores parecem ter perdido o brilho e o
perfume que lhe eram nativos.
Sem
pestanejar, o florista descansou com atenção o seu olhar nas feições daquela
mulher aperreada. Sem ter uma solução para o problema, devolveu-lhe outra
indagação não menos angustiante: – Tu amas o que fazes? Ou melhor, tu te amas
ao fazer o que fazes com o teu jardim?
Desconsertada,
a moça proferiu outra pergunta que pudesse aplacar o seu desconchavo: – Mas o
que isso tem a ver? Não falo sobre mim, falo de flores, meu amigo!
– Eu
conheço suas flores, sei que são belas. Aliás, quando tu te propões a cuidar do
que gostas, tudo aquilo que tocas tu consegues revestir de beleza. Não te dou
conselhos sobre condições de solo, poda, umidade ou exposição solar, pois
imagino que tuas flores merecem outros cuidados. É difícil explicar, mas penso
que o teu dilema está fora do teu jardim, no teu modo de ver as tuas flores. Se
todos as enxergam como graciosas, por que apenas tu as percebes como modestas?
Humilde,
o sábio florista reconheceu que não saberia lhe dizer com clareza o que essas
questões tinham em comum, embora sentisse que todas elas tinham uma mesma
ascendência, isto é, todas tinham a sua raiz nas questões da existência. Em
aditamento a esta falta de resposta, disse que a única coisa que poderia lhe
fazer era contar uma história. Se este conjunto de fatos lhe suscitasse algum sentido,
a moça iria descobrir por si mesma. Pronto, isto foi o que ele tentaria fazer,
não fosse o atropelo verbal de Malu. Ao perceber que não poderia fugir daquela
pergunta e, ainda, que a sua resposta deveria ter a raiz nas profundezas do seu
ser, Malu ensaiou uma resposta. No entanto, falou muito mais sob pressão do que
por intento próprio, achando-se sábia no que dizia:
–
Bem... assim... é... eu me amo. Tipo, eu me amo, mas eu preciso me amar mais, certo?!
O que eu queria mesmo é que as pessoas também me amassem mais. Na realidade, eu
me amo, mas sou desejosa de ser desejada. Entendeu?
– Deseja
a ti mesma e serás desejada, retrucou o florista.
– Como
assim? Não, assim eu seria desejada por mim e isto não me basta.
– Sim,
serás desejada por ti. Aí é que está o segredo. Dizem que o desejo só pode ser
despertado no outro quando ele ocorre por si mesmo. Em outras palavras, a
criatura só pode ser desejada se for também amada. Dizem que as criaturas
amadas liberam um perfume inigualável. Ele tem notas que não se compram nos
perfumes do armazém, mas vão se formando com o tempo e vão se aprimorando e
harmonizando na própria pele como se fossem uma coisa só, como só o que é
verdadeiro pode ser: único. Mas este amor primeiro precisará sair de ti, ó
criatura. Como queres enxergar beleza em teu jardim, em tua vida, se os olhos
que contemplam o teu entorno estão embaçados?! Viver é ter um jardim. Se não
gostas do teu, parece-me que não gostas do que ele representa para ti, o que
não significa que ele não seja belo. Se teu jardim é um fardo, tu não poderás
enxergar leveza em tuas flores. Ter jardim só faz sentido quando a experiência
de regar as flores e cuidar do nosso solo não se torna uma obrigação, mas
cuidado, respeito e amor. Minha amiga, viver é sentir a fome que não se sacia.
Parece-me que já estás saturada deste jardim, não é?! Como apreciá-lo, então,
se não tens fome para contemplá-lo?!
Sem
palavras, Malu não sabia mais o que buscava na casa do florista amigo, mas
compreendia uma coisa: é impossível discutir tema algum sem fazer alusão ao que
se vive. O silêncio tomou conta do espaço. Cada parede daquele cenário estava
impregnada com um autêntico perfume que mais parecia ter muitas notas
estruturantes, sobretudo a nota marcante da sabedoria organísmica. Sem
resposta, mas ancorando um turbilhão de reflexões em seu peito, Malu foi calada
pelo barulho que dela surgia. Este barulho só tinha um nome: fome. A sua fome
era tão grande que não cabia nas palavras. Embora não tivesse ouvido a história
que o florista desejara lhe contar, ela saiu daquele lugar sem hesitar, pois a
fome era demais a lhe importunar.
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Ser vinho
O tempo é precioso. A ele a vida designou o papel de aprimorar as pessoas como se fossem vinho. O barril de carvalho é a estrada por ondem algumas delas passam e se acomodam. Quando um desses elementos se modifica, os demais se transformam em plena cumplicidade. Pronto, tudo corrobora para que todos fiquem bem ou melhores naquilo que poderiam ser ou se tornar.
Hoje foi um dia especial para mim, o
tempo tratou de me mostrar que estamos todos nos encorpando. Se ainda não sou como gostaria de ser, não há problema. Esta é a parte boa da história: o tempo que virá se encarregará de me tornar melhor, desde que eu aproveite cada momento no barril onde hoje me encontro.
Um dia serei festa, alegria. O meu desejo de ser assim já me deixa feliz, pois a minha experiência de preparo anuncia o sabor que virá e o concerto que me anunciará ao encontro das taças de cristal. Viver é esperar, mas esperar só se faz possível quando percebo que o que me espera é digno. Esperar não significa ser passiva, mas generosa com o meu momento e o meu desejo de me transformar, de não ser tão ácida, ser delicada, intensa e aromática.
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Encantar-me...
Meus olhos reclamam outras leituras
Meu corpo implora outra postura
Minha língua deseja mais ternura
Minhas mãos suplicam outros sonhos
Para o meu passo rápido, lentidão
Para o infortúnio de algumas energias, solidão
Para a ausência da alegria, outras companhias
Para o caminho tão certo, outras rodovias
Ao peito amargo, um coração leve
À dor sentida, uma palavra a ser proferida
Ao fardo que carrego, o entorno
À garganta travada, o despejo do rancor
Sobre mim, um pouco de bênção
Sob a pele que me reveste, mais verdade
Viver com mais vontade
Encantar-me um pouco mais por mim
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Viver é sonhar
A vida não é fácil
Isto eu sei, minhas vivências precedentes me falaram
A vida não é tão difícil assim
Isto eu busco, ao olhar a luminosidade que surge do obscuro
a me seguir
Para ser feliz, o que a vida nos diz?
Não esperemos nada, mas desejemos tudo!
Viver é sonhar
Assinar:
Comentários (Atom)