sábado, 1 de dezembro de 2012


O que sinto
Do amor que me propele a outras vidas
Da dor que me impõe uma saída
Da incerteza que me leva à descoberta
Do desejo de sair e deixar a porta aberta

Como vivo
O riso que precede o pranto
O respeito pelo meu desengano
O desejo de revirar o que não se toca
A consciência de não querer sair da oca

Como aceito
Esperar o meu progresso
Ausentando-me do processo
Querendo tudo sem ter nada
Vivendo um retrocesso e desejando o seu reverso

Lidiane Araújo

Inconstante

Eu vivo dessa inconstância de emoções
Ora choro, me arrebento em ilusões
Ora canto, divido o meu riso com as multidões
Ora grito, suplico à vida novas e intensas paixões

Eu vivo dessa constância de ser inconstante
Busco me desnudar do que me é preocupante
Envolvo-me delicadamente com uma alma mais tolerante
Liberto-me exaustivamente de tudo o que é ultrajante

Eu vivo
Choro
Canto
Grito

Eu vivo
Busco
Envolvo-me
Liberto-me


Lidiane Araújo, 30 de outubro de 2012